– O impacto na autoestima, limites e como a psicoterapia pode ajudar –
Partindo do princípio de que a parentalidade é um desafio para todos os pais e, que existe sempre o desejo genuíno de proporcionar o melhor futuro aos filhos, respeitando a construção da sua autonomia, há momentos em que essa intenção nem sempre é validada.
O medo e o desconforto, que por vezes, os pais podem sentir ao ver o seu filho a enfrentar os desafios da vida, e com isso, correr os riscos inerentes a esse processo, leva com que alguns tomem as decisões por eles. Em outros casos, verificam-se por vezes episódios de comparações com outras crianças e até ridicularização dos próprios face aos outros, aumentando o seu sentimento de incapacidade.
O impacto na autoestima
Com isto, cria-se a “tempestade perfeita” no discurso interno de uma criança ou jovem, para aquilo a que chamamos de parentalidade tóxica. Tudo isto, tem influência negativa na sua autoestima. Frases como “não sou suficiente”,“não sou capaz” ou “não vou conseguir” são habituais em menores que experienciam este tipo de parentalidade, onde os níveis de autoexigência acabam por ser pouco saudáveis para o seu desenvolvimento. Este tipo de crença vem reforçar na sua génese sensações como o medo de falhar. Neste tipo de parentalidade, os erros são punidos com vergonha e rejeição, fazendo com que a criança ou o jovem evite correr riscos e inclusive experienciar novos desafios.
Limites e como a psicoterapia pode ajudar a ultrapassar
O facto de evitar tomar decisões sozinha(o) e de experienciar novas sensações que a vida proporciona, faz cristalizar a crença que o mundo é um lugar perigoso. Por sua vez, aumenta o sentimento de pessimismo em relação à vida, trazendo com isso, a desconfiança em relação não apenas ao mundo mas também aos que a(o) rodeiam.
De forma a evitar que nos tornemos uma “person pleaser” alguém que vive para agradar e dependente de validação dos outros, é importante que existam limites claros, também na relação com os pais. Esses limites passam por um ambiente sem gritos nem insultos, com respeito pela privacidade, respeito pela integridade da vida da pessoa, seja relativamente ao seu corpo, relacionamentos ou vida profissional.
A psicoterapia pode ajudar, permitindo um espaço seguro para o questionamento de crenças que nos são passadas pelos nossos pais. E assim construir uma nova forma de nos relacionarmos connosco e com os outros.